"Olha agora para os céus, e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua descendência..."

SOLA SCRIPTURA!


A autoridade da Bíblia depende da revelação vinda de Deus. Se Deus não falou, então somos iguais a uma nave espacial que está fora de contato com sua base. Mensagens não alcançam os tripulantes que esqueceram de onde partiram e muito menos sabem para onde vão. Sem a Palavra autoritária da Bíblia estamos perdidos. Paulo escreveu: “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra” (2 Tm 3.16,17). Inspiração por Deus quer dizer simplesmente que Ele falou por intermédio de homens que ouviram e receberam revelações especiais dele e foram protegidos contra qualquer erro em escrever o que Deus falou.


A divisa da Reforma foi Sola Escriptura, que significa: “A única fonte e norma de todo o conhecimento cristão é a Sagrada Escritura” (H. Heppe, Dogmática Reformada). Lutero cria na inerrância das Escrituras como Jesus e Paulo também criam. A Igreja ensinou esta doutrina essencial: a sua autoridade absoluta. O famoso teólogo Karl Barth disse: “Os Reformadores adotaram sem questionar e sem reservas a declaração acerca da inspiração verbal da Bíblia, conforme é explícita e implicitamente contida naquelas passagens paulinas que tomamos por nossa base, até mesmo incluindo a fórmula de que Deus é autor da Bíblia, e, ocasionalmente, fazendo uso da idéia de um ditado através dos escritores bíblicos” (citado por Gerstner em O Alicerce da Autoridade Bíblica, ed. James Boice, S. Paulo, Ed. Vida Nova, 1982, p. 37).


Nenhum mestre ou pastor evangélico deve ensinar nada que esteja em desacordo com os autores da Bíblia e nem deve elevar qualquer prática religiosa a um nível de ser exigida, se não tiver sustento nas Escrituras Sagradas. Quando Lutero foi congratulado por ter se firmado nas Escrituras, declarou: “Não, não estou firme nas Escrituras; estou firme debaixo das Escrituras!”. Entendeu corretamente a suprema importância de humildemente se sujeitar aos ensinamentos bíblicos como a única fonte e norma de doutrina e prática cristãs.


Os Reformadores e, particularmente, Lutero, acreditavam na simplicidade das Escrituras. Discordava totalmente da Igreja Católica Romana que afirmava que somente doutores e especialistas tinham a habilidade de entender e explicar a Bíblia. Os Protestantes discordaram. O resultado podemos notar na explosão de centenas de traduções e versões da Bíblia em centenas de línguas. Milhões de Bíblias são vendidas no Brasil, confirmando o que os Reformadores entenderam. O povo de Deus quer examinar as Escrituras como os bereanos (At 17.11).


As implicações da convicção dos Reformadores têm profundo e longo alcance. Note algumas poucas delas:


1) O cânone dos 66 livros da Bíblia é permanente e imutável. Ninguém jamais tirará um desses livros ou acrescentará outro.


2) A declaração Sola Scriptura se baseia totalmente na inspiração plenária das Escrituras. Se surgir uma outra revelação verbal da verdade sobre Deus e Sua vontade que seria obrigatória para os cristãos crerem e praticarem, a veracidade da Sola Scriptura seria insustentável.


3) As figuras que a própria Bíblia usa para se autodesignar são indicativas desta realidade. Ela é luz para mostrar o caminho em que devemos andar (Sl 119.105). Ela é a semente que gera vida eterna (1 Pe 1.23).


4) Ser a Bíblia nossa única regra de fé e prática não nega a possibilidade de Deus revelar sua vontade individual para um servo dele, para mostrar sua vontade particular para ele. Deus ainda fala, mas nunca pode contrariar um ensinamento claro da Palavra de Deus (comp. 1 Pe 4.11).


5) De suma importância é se lembrar que Deus unicamente fala a verdade das Escrituras quando elas são interpretadas corretamente.


6) A tarefa do pregador e mestre da Palavra não pode ser outra senão expor e aplicar o que o texto da Bíblia diz. Não é difícil declarar doutrinas e ensinamentos errados, tirando frases do seu contexto literário e histórico. O princípio de Sola Scriptura somente tem validade nos casos em que a intenção do autor bíblico é honrada.



* Russell Shedd é professor, PhD em Novo Testamento, missionário e escritor.


Fonte: Agência Soma.