"Olha agora para os céus, e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua descendência..."

A revolta popular no Egito e o fundamentalismo islâmico

O “Personagem da Semana” é o povo egípcio. Melhor dizendo, são os povos da Tunísia. Do Iêmen. Da Argélia. Do Oriente Médio e da África Árabe. Que se insurgiram contra ditaduras longevas e usurpadoras dos direitos individuais e impediram a livre manifestação do pensamento. É óbvio que tais movimentos poderão, infelizmente, desembocarem em outro tipo de ditadura, a islâmica, como é o caso do Irã. Lá o Xá Reza Pahlevi foi destronado e no seu lugar assumiram os iatolás. O resultado é o que se vê hoje em Teerã, um regime teocrático, manipulador e avesso às idéias democráticas e ao livre pensar. É deplorável, mas os árabes ainda não sabem conviver com a chamada democracia representativa. Saem de extremos, como os 30 anos do ditador Hosni Mubarak, no Egito, para algo ainda desconhecido. A pergunta que fica é porque o Ocidente, até por medo dos fundamentalistas islâmicos, apoiaram por tres décadas um regime tirano como o de Mubarak. Os Estados Unidos tem muito a explicar sobre essa contradição. Os americanos ajudam Mubarak com, pelo menos, 2 bilhões de dólares anuais. No Egito, contudo, a revolução é dos jovens. Mais de 80% da mão-de-obra jovem do Egito não encontra emprego digno e nem salário justo. A revolta que varre o mundo árabe tem uma particularidade: foi arquitetada via internet. Surge, então, na segunda década do Século XXI, algo que pode ser batizado de cyber político. Ultrapassaram os conhecidos cybers culturais e sociais. Não há como os ditadores terem o controle absoluto da informação. Essa é a mudança fundamental. O fato é que, no Egito, a única força política organizada é o grupo fundamentalista Irmandade Mulçumana. Se o Ocidente teme que o Egito caia nos braços de um sistema semelhante ao do Irã, terá antes de fazer “mea culpa”. Os EUA e a Comunidade Européia apoiaram, por comodidade, falta de alternativa e por interesses estratégicos, ao longo da história, incontáveis ditadores árabes. Estes nada fizeram por seus habitantes, a não ser brandir a mão armada discricionária e autoritária sobre a população indefesa e desarticulada. É o começo do fim de um era.

Fonte: www.blogdomax.com.br.